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29/09/2007 10:28
Turismo
Praga: um passeio de volta ao passado
A "cidade museu" nos faz andar com a cabeça elevada ao céu, seduzidos por suas intocadas construções medievais. Os olhos ficam fixos no suntuoso castelo, catedrais góticas, palácios barrocos, casas renascentistas, conventos, cúpulas em forma de flecha, igrejas, ponte do século 15, salas de concerto, sinagoga do século 13 e viadutos.

A "jóia de pedra", como definiu o escritor alemão Johann Wolgang Goethe, era há pouco tempo um lugar escondido. Oculta pela Cortina de Ferro durante mais de 40 anos, mostrou ao mundo seus encantos a partir de 1989, quando a Revolução de Veludo derrubou o rígido regime comunista na antiga Checo-Eslováquia. Desde então, milhares de pessoas visitam Praga todos os anos e se encantam com a enorme catedral São Vito, Castelo de Praga, ouro e pinturas da Casa Municipal, a gótica Torre de Pólvora e a ponte São Carlos e suas 30 estátuas de santos. É um convite a uma descoberta passo a passo - se você gostar de caminhar, claro.

Sem gastar um tostão
É possível conhecer Praga toda a pé, sem gastar um tostão com ônibus, metrô ou bonde. Por mais que as ruas sejam bem sinalizadas, todas as placas são escritas somente em checo. Ou seja: é difícil memorizar o nome de uma rua. Um bom mapa é a solução.

Cortada pelo rio Vltava, a cidade pode ser dividida em cinco regiões, todas bem próximas e pequenas. Na margem esquerda, estão Hradèany (bairro onde fica o Castelo de Praga e onde foi fundada a cidade) e Malá Strana (a Cidade Pequena, onde todas as construções são anteriores ao século 19). Ficam na margem direita do rio Josefov (bairro judeu), Staré Mìsto, (Cidade Velha, onde está o centro) e Nové Mìsto (Cidade Nova).

Em qualquer região que estiver, o turista ficará frente a uma obra de arte a cada curva ao final de uma rua antiga, estreita e de paralelepípedos. Também nas ruas encontram-se muitos pintores e músicos, feiras de artesanato, as marionetes, as pequeninas bonecas russas, as caixas marchetadas, os brinquedos de madeira e os famosos ovos feitos de madeira, tecido e porcelana.

A Praça Central (Staromìstské námestie), "coração de Praga", é um excelente ponto de partida para conhecer a cidade. Lá, têm todos os eventos. Ao redor dela, há ótimas opções de restaurantes, bares e cafés. Nos bares, canecões de meio litro convidam o turista a degustar as cervejas (sem gelo).

Na chegada a Praça Central, está a Torre de Pólvora (Pra¿ná brána), um dos mais conhecidos símbolos da cidade, situada na Staré Mìsto. Construída no século 11, era uma das 13 entradas da muralha que cercava a capital.

Seguindo pela rua Celetná, a mais antiga da cidade, rodeada de prédios históricos, está a Igreja Tyn, cuja construção se iniciou em 1461 e encanta com sua arquitetura gótica. Nela, ficam notáveis esculturas do Calvário e um púlpito do século 15. Já pela rua Na Pøíkopì, você se depara com a famosa Praça Venceslau. Trata-se de uma avenida larga, que ficou famosa por ter sido palco do fim da Primavera de Praga (1968) e da Revolução de Veludo (1989). É também ponto de encontro de ativistas políticos.

Caminhe em seguida até o prédio da Prefeitura. Em frente à lateral do edifício, uma multidão de pessoas aguarda pelas badaladas do Relógio Astronômico medieval (Orloj). A cada hora cheia acontece um espetáculo. Uma estátua da morte vira sua ampulheta e começa a procissão de 12 apóstolos, acompanhados por imagens representando a avareza, vaidade, morte e a invasão pagã. O relógio, construído em 1410, mantém o mecanismo original reformado entre 1592 e 1572. Dica: suba no edifício, a vista do alto da torre é magnífica.

Logo a frente estará a Ponte Charles (Karluv most), um dos símbolos de Praga que liga as duas partes da cidade por sobre o rio Vltava. É uma obra gótica com 520m de extensão, feita toda de pedra. Teve sua construção iniciada em 1357 por ordem de Carlos 4º. Desde 1950, é proibido o tráfego de veículos sobre a ponte, que virou um calçadão movimentado. Há réplicas de 30 estátuas góticas e barrocas com imagens de santos católicos. Procure pela estátua do Santo Nepomuceno, padroeiro da cidade. Dizem que tocá-la e fazer um pedido traz sorte.

Do outro lado do rio, surge o imponente Castelo de Praga, sede do governo e residência do presidente desde 1918. A história da cidade começou no castelo, no século 9, quando o príncipe Borivoj aproveitou o lugar, no alto de uma colina, para construir uma fortaleza que dominasse a região e as embarcações que transitavam pelo rio Moldava.

O Castelo de Praga é praticamente uma cidade. Ir à capital checa e não conhecê-lo é como ir à Paris e não ver a Torre Eiffel. No seu interior destacam-se a Catedral de São Vito (principal construção gótica de Praga, iniciada em 1344 durante o reinado de Charles 4º), Antigo Palácio Real (residência dos reis da Boêmia entre os séculos 11 e 17), Torre Dalibor, Convento de São Jorge, Palácio Lobkowicz (acervo histórico do Museu Nacional) e Viela Dourada (rua do século 16). Não perca a cerimônia tradicional da troca da guarda.

Uma atenção especial também deve ser dada à casa de número 22 do castelo. Durante alguns meses, em 1916, ela serviu de moradia e de fonte de inspiração para o lendário escritor Franz Kafka, autor de Processo e A Metamorfose.

Outros lugares especiais são as ruas Mostecká e Nerudova, Palácio Wallenstein, Casa e Igreja de São Tomás, Igreja de São Nicolau (Kostel Sv. Mikuláse), Praça de Malá Strana (Malostranské Namésti) e Jardim Ledebour (Ledeburská Zahrada).

Durante a noite, a cidade tem um clima sombrio com pouca luz nas ruas. Apenas os edifícios e as estátuas ficam iluminados. É uma grande oportunidade de sentir em uma atmosfera kafkaniana estando na terra natal de Kafka, que nasceu e viveu em Praga por quase todos os seus 41 anos.

O clima umbroso também é notado no bairro judaico de Josefov, com suas sinagogas e museus que homenageiam a memória das vítimas do Holocausto. Os vestígios do antigo gueto causam perplexidade. O bairro tem como atrações históricas seu cemitério (Starý Zidovský Hrbitov, fundado em 1478, com 12 mil lápides e sepulturas de até 12 camadas), o Convento de Sta. Inês (Kláster Sv. Anezky, fundado em 1234) e a Sinagoga Staronová (construída em 1270, a mais antiga sinagoga da Europa).

Amada por Mozart, Praga é berço de compositores como Antonín Dvorák (1841-1904) e Bedrich Smetana (1824-1884). A capital acolhe mais de 10 salas de concertos, 15 igrejas onde acontecem apresentações de música erudita, 7 casas de shows e, no verão, 6 grandes jardins viram palco de concertos ao ar livre. Se não bastasse, ousam igualá-la à capital da França. Muitos a chamam de "Paris do Leste". A verdade é que Praga, como dizia Kafka, "não deixa a gente ir embora, a velha tem garras."


Fonte: Terra  

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